No final do ano costumamos refletir sobre o que passou nos últmos 365 dias que passamos por essa existência. Alguns, vão mais longe nessa tarefa da introspecção. Esse olhar para para si mesmo, sem a autopiedade que é o pior dos sentimentos que podemos cultivar. E quando olhamos para o nosso passado isento dessa piedade de nós mesmos podemos constatar que em algumas circuntâncias de nossa história pessoal, familiar, coletiva e, mesmo universal fomos derrotados. Por que? É a pergunta que fazemos, muitas vezes tentando achar um culpado pelas nossas derrotas.
O que muitas vezes nos torna derrotados no curso dessa vida é o esquecimento de que fomos vencedores quando ainda éramos duas células metades na luta inaugural do ser. Na sociedade em que vivemos tudo contribui para que isso aconteça. Enquanto no universo uma força positiva conspira para que sejamos vitoriosos no processo evolutivo; no cotidiano da vida, outra força negativa, dentro de nós, trabalha para que sejamos derrotados. E, na maioria das vezes, nos submetemos aos mandos dessa força derrotista. Isso porque esquecemos o que somos.
A vida humana não é fruto do acaso. Um acontecimento aleatório do universo. A fecundação que deu origem à primeira célula do nosso ser não foi um acidente de percurso na trajetória de um óvulo e um espermatozóide que no caminho oposto que faziam se trombaram e se fundiram. A junção desses dois gametas foi um encontro que se deu depois de uma luta travada por ambos que, impulsionados pelo desejo da vida, empreenderam a corrida para o milagre da fecundação. Todo óvulo e todo espermatozóide são virtualmente destinados a um encontro, porém nem todos se encontram para o milagre da vida.
A fecundação que lhe deu origem foi um milagre que só aconteceu porque aqueles dois gametas, além do desejo vital, foram orientados pela Sabedoria do Espírito Criador e, em obediência a essa orientação, lutaram para chegar ao encontro um do outro e dar início à vida. Milagres não acontecem do nada. Há que se buscá-los nas possibilidades do universo.
Na corrida para a fecundação, os muitos obstáculos encontrados por um dos gametas não foram suficientes para demovê-lo da aventura empreendida. Ao contrário, cada desafio encontrado e superado o transformou em um gameta mais obstinado pela concretização da vida que virtualmente carregava.
Foram milhões de espermatozóides naquela corrida frenética em busca do óvulo. Alguns deles tomaram o rumo errado, outros tantos desistiram da luta, outros ainda ficaram para trás e chegaram atrasados. Somente um chegou primeiro porque lutou com obstinação. Correu mais que os outros. Venceu cada obstáculo do caminho e encontrou o óvulo no momento propício e o fecundou. Nada disso foi fruto do acaso ou um acontecimento qualquer, mas o resultado da luta inaugural pela vida. O primeiro milagre da nossa existência, enquanto exemplar da espécie.
O universo, cúmplice de todos os fenômenos que acontecem na sua viagem rumo ao futuro, conspirou e torceu para que naquele tempo de sua aventura expansionista um óvulo e um espermatozóide se encontrassem para mais um acontecimento fenomenal da natureza.
A célula inaugural, resultado da junção daqueles dois gametas, é a síntese da experiência vitoriosa e da alegria de um espermatozóide vencedor que se encontrou com um ovócito receptivo e ambos se fundiram para a aventura da existência. Essa história, de luta e vencedor está gravado na memória de cada célula que temos no corpo, pois cada uma traz consigo a herança genética da célula primeira.
No processo embrionário inicial, milhões de outras células se produziram e, todas, reproduziram o patrimônio genético da célula-mãe. E, assim, fora todo o tempo da gestação. Portanto, ao vir ao mundo, viemos com bilhões de possibilidades potencializadas num projeto aberto às realizações de uma vida desejada e planejada para ser vitoriosa.
Carregamos em cada célula do nosso corpo a herança da experiência vitoriosa da luta inaugural do ser, a potencialidade da vida se processando em cada momento da existência. Somos, cada um na sua individualidade, bilhões de células prenhas do desejo da vida desejada pelo Espírito Criador, quando nos lançou nesta aventura humana.
Somos um todo organizado, numa complexidade de bilhões de partículas, todas carregadas da Sabedoria e potencialidade que orientaram o universo nesses bilhões de anos de evolução; somos a síntese de tudo que aconteceu nessa aventura cósmica. Somos, na nossa individualidade, a multiplicidade do desejo daquele gameta que, impregnado pela vontade de existir, se empenhou, na primeira corrida pela vida, para chegar num óvulo receptivo, a outra parte do ser no processo de gênese da vida.
Somos, particularmente, uma fagulha da energia criadora deste universo eternamente em processo evolução e cúmplice de todos os acontecimentos que o constitui.
Somos virtualmente a alegria do vencedor que se encontrou como sua outra metade no ato da fecundação. Temos milhões e milhões de motivos para festejar o milagre da vida e, no entanto, vivemos, em cada momento vivido, a morte que se processa dentro de nós.
Temos que resgatar a ideia originária de que somos aventureiros nessa espaçonave chamada Terra e rumamos para o futuro. Somos sonhos de ser aqui e na eternidade o que estamos destinados a ser. Nada, nem ninguém, hão de nos desviar do nosso destino se assim o quisermos.
As derrotas que ocorreram e que, eventualmente, possam ocorrer no curso dessa passagem existencial são oportunidades que a natureza nos oferece para serem superadas, desafios para ser enfrentados, situações para testar se os desejos do vencedor estão acima dos incidentes de percurso que as forças contrárias nos impõem para nos derrotar no curso dessa epopéia humana de se autoconstruir.
O universo, que tem registrado o primeiro e os sucessivos milagres que nos produziu, continua sendo cúmplice para que o sonho da vida se realize conforme está escrito na consciência universal. Assim, continua conspirando e torcendo para que a vida seja vitoriosa em cada acontecimento do nosso existir, como foi na aventura ultra-uterina.
Fomos vencedores mesmo antes que a vida se iniciasse. Superamos cada obstáculo naquela corrida que antecedeu a fecundação; vencemos quando, ainda, éramos células incompletas. Depois da fecundação vencemos todas as etapas do processo biológico, a multiplicação das células que ocorreu no ventre materno.
Cada etapa desse processo foi uma vitória em favor da vida que hoje se faz presente em cada corpo humano que habita este planeta. Cada célula nova que surgia, naquele processo multiplicador, multiplicava o desejo de vencer, a vontade de lutar em prol da vida em formação. Em cada ato empreendido e a cada objetivo alcançado estava o júbilo do vencedor. Tudo isso está gravado nas entranhas de cada um de nós e na memória da Fonte Originária da Vida. O ser humano é a síntese da vitória do universo orientado pela Sabedoria do Espírito Criador. Ele não pode ser um acontecimento repleto de fracassos.
Por isso não temos motivos para sermos tristes, infelizes, doentes, pobres e derrotados. A tristeza, a infelicidade, a doença, a pobreza e a derrota não são coisas da vida, pois esta é fruto do amor, da generosidade, do desejo de ser emanado da Fonte Alimentadora de Todo o Ser e da cooperação de vários elementos.
A vida é a manifestação dessa força maior, que costumamos chamar de Deus. Não esse Deus que se parece derrotado pelas atitudes de suas criaturas, mas o Deus vitorioso cujo Espírito de Sabedoria habita o universo, corações e mentes daqueles que com Ele reestabelecem uma ralação de amorosidade. Esse amor se resume em felicidade, jovialidade, saúde, prosperidade e outros atributos das virtudes universais.
Se não estamos vivendo essa condição é porque o milagre que nos produziu encerrou-se com nosso nascimento. Se não vivemos a vocação de ser eternamente empreendedores da vida e vitoriosos é porque desde o momento que viemos à luz, até aqui, estamos sendo vítima de um processo de anulação e, covardemente, estamos cedendo e sufocando nossas potencialidades.
Não estamos vivendo nossa lenda pessoal, o destino de cada um. Não estamos potencializando o desejo de vencer que está impregnado em cada criatura ou elementos da natureza e, igualmente, em nossas células. Esquecemos que a vida foi e será vencedora e que há a eterna cumplicidade no universo para que assim seja. Isso faz parte da aventura evolucionista. Não somos estranhos a este processo. Somos partes dele porque pertencemos ao universo.
Não viemos para este mundo para viver uma experiência de derrota. Não fomos feitos para fracassar. Cada queda que a vida nos impôs foram oportunidade para levantarmos e seguir adiante, mais experiente. Agora, se formos derrotados nessa aventura existencial, ninguém pode ser culpado pelos nossos fracassos, senão nós mesmos.
Se o fracasso está acontecendo é porque rendemos nossa vontade de potência aos hábitos e costumes medíocres daqueles que não acreditam no viver como um horizonte de possibilidades. Seguimos a lição daqueles para quem a fatalidade do destino e as forças ocultas e negativas têm a última palavra sobre nós. E o resultado disso que estamos vendo em cada esquina, em cada rosto da multidão, é a incapacidade em atingir os objetivos da vida, de buscar a concretização do sonho do universo.
Neste início de ano novo pense nisso! Reflita sobre essa condição que, sinteticamente, nós descrevemos acima. Você é importante na trama do universo. Por isso, isso não foi feito para ser um derrotado, um vencido pelas vicissitudes desse tempo que tens, entre o nascer e o morrer. Pense nisso! Feliz Ano Novo. Que o sonho da vida seje resgatado por você em cada dia de sua aventura neste que ora se inicia,
ANTONIO SALUSTIANO FILHO, Advogado, ambientalista e escritor.
O texto acima é recomendado para se lido 3 vezes por dia, durante 30 dias. Por que? Dizem os epecilaista que a repetição de uma mensagem fica gravado no inconsciente e torna-se um hábito. Já pensou se acreditarmos piamente nisso que está no texto? Ele será um excelente remédio para a cura de nossos tédios, depressões, enfim, nossas derrotas cotidianas. Isso não sou que estou falando. É coisa neuroliguística.
ResponderExcluir